Você podia ter dito, podia ter me dado a chance de te contar que jamais quebrei uma promessa.

Contos

Eu não quero te esquecer

Você podia ter dito, podia ter me dado a chance de te contar que jamais quebrei uma promessa.

É louco, eu sei. De vez em quando eu até tento achar uma explicação, mas acabo desistindo porque talvez não exista mesmo e o meu amor seja um desses casos que ninguém nunca entende. Ele só continua existindo aqui no peito como se nunca tivesse havido motivos preu te apagar de vez e deixar o espaço que você ocupa, livre.

“Mesmo depois de tudo que ele te fez?” minhas amigas perguntam e eu engulo seco antes de confessar que, sim, mesmo depois de tudo ainda é nele que eu penso quando fecho os olhos antes de dormir e lembro quando tenho algo pra contar e mando mensagens quando bebo demais. Ainda é ele que faz meu corpo tremer inteiro só de chegar perto e muda minhas certezas com uma simples troca de olhar. Não devia, eu sei, mas é.

E elas me olham com pena sem entender como é que eu posso achar normal continuar assim. Não acho, mas aceito, porque mesmo no meio de todo o caos e de toda a dor que ficou depois do dia em que você pegou suas coisas e foi embora, eu ainda não quero te esquecer.

Essa é a maior verdade que eu poderia dizer agora moreno. Não quero abrir mão da nossa história mesmo ela sendo toda torta e tendo um monte de falhas no caminho. Não quero mesmo com você seguindo em frente e me pedindo pra fazer o mesmo porque dessa vez não tem volta. Eu finjo que tem.

Vou me enganando enquanto você vai se achando em outras garotas. E me forço a acreditar que numa manhã qualquer cê vai tocar aqui em casa com uns pães daquela padaria que eu adoro e vai pedir pra eu fazer aquele meu café que você adora e a gente vai fazer amor na mesa da sala porque é isso que a gente adora e vamos ficar nos perguntando como é que conseguimos ficar tanto tempo longe um do outro.

Eu queria saber como você consegue, como é que faz pro peito não apertar e a saudade não ensurdecer a nossa alma, talvez assim eu entendesse também e começasse a nos enxergar de outro jeito, mas tudo o que eu sei agora é que tem outra mulher deitada ao seu lado na mesma cama que eu deitava e que é ela quem tá recebendo os seus carinhos enquanto você sussurra em seu ouvido que ela é a melhor coisa que já te aconteceu.

Antes era eu. A melhor coisa que te acontecia e não cabe mais nos seus dias pra continuar acontecendo. E mesmo assim não consigo querer abrir mão de tudo o que a gente sonhou pro futuro naquelas noites em que virávamos garrafas de uma bebida vagabunda e ríamos do formato das estrelas e prometíamos que nunca mais nos esqueceríamos.

Se você tivesse me avisado, naqueles momentos, que cê sempre mentiu muito bem e que eu não devia levar muito a sério as coisas que você fala quando não tá sóbrio porque você esquece de tudo no dia seguinte, eu teria te dito que eu sempre levo tudo muito a sério.

Eu teria te alertado que me jogo sem proteção então preciso que se joguem também ou eu acabo caindo sozinha do jeito que to agora: desabando de um precipício sem ter nenhuma mão pra segurar.

Você podia ter dito, podia ter me dado a chance de te contar que jamais quebrei uma promessa. E que não era dessa vez que eu ia quebrar. E talvez assim, com tanta verdade exposta, hoje eu quisesse te esquecer. Mas, por mais pedante que seja, eu ainda não quero.

(Source: Gabi Freitas)

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